Abel Camará: "Vi sete ou oito mortos no chão do nosso balneário. Foi um massacre"

sapo.pt 63 days ago

Jogador do Arema falou sobre os momentos de terror vividos no estádio Kanjuruhan, palco dos confrontos que provocaram a morte a mais de 120 pessoas.

Abel Camará:
@AFP

É uma das maiores tragédias já ocorrida no interior de um estádio de futebol: cerca de 3.000 adeptos invadiram o campo após a derrota da equipa da casa, o Arema FC, frente aos rivais do Persebaya Surabaya, por 3-2, na Indonésia. As autoridades indonésias disseram inicialmente que os tumultos ocorridos no final de um jogo de futebol em Java Oriental provocaram 174 mortos, mas o número oficial foi entretanto revisto para 125.

Abel Camará é jogador do Arema FC e falou sobre os momentos de terror vividos no estádio Kanjuruhan.

"Sinto-me um pouco aliviado. Normal. Ontem vivemos momentos de grande tensão e só pensámos nos nossos filhos e família. Agora é aguardar em casa a ver o que vai acontecer", começou por contar, em declarações à CNN Portugal.

"A equipa do Persebaya teve uma invasão de campo, os jogadores foram agredidos. Foi-se formando ódio para este jogo, falava-se mais de matar do que ganhar o jogo. Acabámos por perder e quando fomos agradecer os começaram a subir as vedações. Fomos para o balneário e foi o caos total", disse o antigo jogador da B SAD.

"Infelizmente, com as pessoas a fugir do gás e da polícia, algumas tentaram entrar no nosso balneário, metemos mesas e cadeiras para não mandarem a porta abaixo. Mais um bocado, vi sete ou oito mortos no chão do nosso balneário", recordou.

"Havia muito sangue, ténis e roupas no chão, foi autenticamente um massacre. O estádio estava cheio, havia mais adeptos do que polícias e quando morreram um ou dois polícias a polícia não olhou a meios", concluiu.

A tragédia ocorreu no sábado à noite, quando cerca de 3.000 adeptos invadiram o campo após a derrota da equipa da casa, o Arema FC, frente aos rivais do Persebaya Surabaya, por 3-2.

A polícia usou gás lacrimogéneo para tentar controlar os adeptos em fúria, mas a sua ação acabou por provocar o pânico, com milhares de pessoas a precipitarem-se para a saída.

Muitas das pessoas morreram espezinhadas no caos da debandada.

Nos tumultos, que se estenderam ao exterior do estádio, morreram pelo menos dois agentes da polícia.

O campeonato indonésio foi suspenso e as autoridades ordenaram um inquérito aos incidentes.

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